terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

A Falta

Cabeça cheia, pensamento a mil, olhos fechados, coração acelerado.

Muito pensamento atrapalhando os sentimentos. Busco a razão dentro de mim. Tem muitas alegrias e uma tristeza latente. Como um quadro na parede, é visto o tempo todo sem ser reparado, mas está lá, presente a todo momento. A música ao fundo me ajuda a identificar. Essa tristeza está instalada, me lembrando com frequência a falta. Fecho os olhos, aparecem mensagens, porém não consigo entender.

Um peso no peito. Dúvidas. Perguntas sem respostas.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

"Querida Garota do Maiô Verde"

A espanhola Jessica Gómez se dirige a uma “garota do maiô verde” sentada a seu lado na praia para explicar a ela, de forma eloquente, como milhões de mulheres em todo mundo se envergonham de seu corpo, que no entanto é “belo simplesmente por estar vivo”. Ela destaca a importância de gostar de si do jeito que se é.

O post com o maravilhoso texto foi publicado no dia 5 de julho de 2018. Segue abaixo o post:


Querida garota do maiô verde:

Sou a mulher da toalha ao lado. A que veio com um menino e uma menina.

Antes de mais nada, quero te dizer que estou me divertindo muito perto de você e de seus amigos, neste pedacinho de tempo em que nossos espaços se tocam e suas risadas, sua conversa ‘transcendental’ e a música de sua turma me invadem o ar.

Fiquei meio atordoada ao perceber que não sei em que momento de minha vida deixei de estar aí para estar aqui: deixei de ser a menina para ser “a senhora do lado”, deixei de ser a que vai com os amigos para ser a que vai com as crianças.

Mas não te escrevo por nada disso. Escrevo porque gostaria de te dizer que prestei atenção em você. Não pude evitar.

Vi que você foi a última a ficar só em traje de banho.

Vi você ficar atrás de todo o grupo, discretamente, e tirar a camiseta quando acreditava que ninguém estava olhando. Mas eu estava. Não estava olhando para você, mas te vi.

Vi você se sentar na toalha em uma postura cuidadosa, tapando o ventre com os braços.

Vi você colocar o cabelo atrás da orelha inclinando a cabeça para alcançá-la, talvez para não tirar os braços de sua estudadíssima posição casual.

Vi você se levantar para ir dar um mergulho e engolir em seco, nervosa por ter de esperar assim, de pé, exposta, por sua amiga, e usar uma vez mais seus braços para encobrir as estrias, a flacidez, a celulite.

Vi você agoniada por não conseguir tapar tudo ao mesmo tempo enquanto ia se afastando do grupo tão discretamente como tinha feito antes para tirar a camiseta.

Não sei se tinha algo a ver, em sua insatisfação consigo mesma, o fato de a amiga por quem você esperava soltar a longuíssimo cabeleira sobre umas costas em que só faltavam as asas da Victoria’s Secret. E enquanto isso você ali, olhando para o chão. Procurando um esconderijo em si mesma, de si mesma.

E eu gostaria de poder te dizer tantas coisas, querida garota do maiô verde… Talvez porque eu, antes de ser a mulher que vem com as crianças, já estive aí, na sua toalha.

Eu gostaria de poder te dizer que, na verdade, estive na sua toalha e na de sua amiga. Fui você e fui ela. E agora não sou nenhuma das duas – ou talvez ainda seja ambas – assim, se pudesse voltar atrás, escolheria simplesmente curtir a vida em vez de me preocupar – ou me vangloriar – por coisas como em qual das duas toalhas, a dela ou a sua, prefiro estar.

Queria poder te dizer que vi que carrega um livro na bolsa, e que qualquer ventre que agora tenha seus dezesseis anos provavelmente perderá a firmeza muito antes de você perder o juízo.

Eu gostaria de poder te dizer que você tem um sorriso lindo e que é uma pena estar tão ocupada em se esconder que não te sobre tempo para sorrir mais vezes.

Eu gostaria de poder te dizer que esse corpo do qual você parece se envergonhar é belo simplesmente por ser jovem. É belo só por estar vivo. Por ser invólucro e transporte de quem você realmente é e poder te acompanhar em tudo que você faz.

Eu adoraria te dizer que gostaria que você se visse com os olhos de uma mulher de trinta e tantos porque talvez então percebesse o muito que merece ser amada, inclusive por você mesma.

Eu gostaria de poder te dizer que a pessoa que um dia te amar de verdade não amará a pessoa que você é apesar de seu corpo e sim adorará seu corpo: cada curva, cada buraquinho, cada linha, cada pinta. Adorará o mapa, único e precioso, que se desenha em seu corpo e, se não o fizer, se não te amar desse jeito, então não merece seu amor.

Eu gostaria de poder te dizer – e acredite, mas acredite mesmo – que você é perfeita do jeito que é: sublime em sua imperfeição.

O que posso te dizer eu, que sou só a mulher do lado?

Mas – sabe de uma coisa? – estou aqui com minha filha. É aquela do maiô rosa, a que está brincando no rio e se sujando de areia. Sua única preocupação hoje foi se a água estava muito fria.

Não posso te dizer nada, querida garota do maiô verde…

Mas vou dizer tudo, TUDO, a ela.

E direi tudo, TUDO, ao meu filho também.

Porque é assim que todos merecemos ser amados.

E é assim que todos deveríamos amar.

(Jessica Gómez, 5 de Julho de 2018)

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Loucura! Ou não?

Mesmo sentimento, situações diferentes. Já senti isso tantas vezes que tenho dificuldade de contar quantas. Cada vez com alguém especial... e põe especial nisso. Essa é a única razão que me deixa um pouco mais feliz. Conheci pessoas tão maravilhosas na minha vida, que só posso agradecer a Deus por isso. O que me falta na família, meus amigos completam e me dão mais.

É por isso que dói, dói ver partir, dói sentir falta. Dói de verdade. Costumo dizer que dor emocional pode ser muito pior que dor física porque não há remédio a não ser o tempo pra diminuir o que se sente. E essa dor se transforma num misto de sentimentos quando eu sei que a partida é para o bem da outra pessoa. Eu começo a perceber que essa dor é só a exposição do meu egoísmo. Egoísmo porque prefiro a pessoa perto de mim à vê-la bem, mas longe. Nessa hora dá um nó no coração. Eu tento racionalizar, mas o peito aperta e me diz que não importa o que eu estou pensando, o que importa é o que estou sentindo. Hora quero me convencer da burrice de me sentir assim, hora quero chorar e quebrar tudo de tanta saudade. Não há um vencedor ou um perdedor absoluto. Hora um ganha, hora outro.

E isso dura um tempo, até esse sentimento ir se dissipando. Mas nessa hora me vejo distante da pessoa. E como eu já passei por isso, isso me desespera um pouco. Não quero me afastar, não quero que ela deixe de influenciar a minha vida, não quero ficar longe... NÃO QUERO! Mas desse jeito dói demais. A saudade é muito grande e ela é lembrada em cada despedida, em cada “tchau” que não conhece quando será o próximo “oi”. O coração parte, a sensação de que falta muito pra se conversar ainda, a vontade de parar o tempo nos minutos antes do adeus. E mais uma pontada no coração, e mais um pensamento “Como sou egoísta!” E isso se repete a cada encontro. Por isso dói, porque há uma guerra interna em mim...

Quantas vezes passei por isso... Ou sou muito dramática ou sou muito burra. Ou os dois. Não é possível! Alguns dizem que a solução é parar de amar e parar de se entregar, e eles vivem nesse conceito. Mas eu não sei viver assim. Quando eu sou eu sou, quando eu amo eu amo, quando é pra mostrar eu mostro. Não sei viver pela metade. E disso eu me orgulho. Já tentei esconder quem eu sou, mas descobri que sou infeliz assim. E não preciso fazer isso. Só que também tem suas consequências viver desse jeito. Sentir-me assim. Partida, dividida, sem chão, sem rumo, por um momento até depressiva. Raiva é outro sentimento que surge também. Como tenho raiva! Raiva de mim é o primeiro a aparecer. Mas depois se estende à todos, até mesmo à pessoa em questão.

Devo ser louca! Ou não... Talvez eu seja normal e os outros que não se permitem sentir que são loucos. Porque esse sofrimento só veio em razão de eu ter tido MUITOS, mas muitos momentos bons mesmo. Que com certeza ultrapassaram esse sentimento ruim. Em questão matemática, estou no positivo. Vejo uma luz no fim do túnel, mas até eu chegar lá, muito espinho. Pra mim, a solução é sentir. Não vou parar de sentir. Mesmo que venham momentos tristes. Eu escolho sentir!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

"Não há coisa no mundo mais viva do que uma porta"

Hoje eu quero compartilhar um poema que conheço desde criança graças ao Castelo Rá Tim Bum. =D Foi o primeiro poema inteiro (e, por enquanto, o único) que eu decorei! Rsrsrs... Então espero respeito!!! Hauhsuhsuas...

Falo do poema de Vinícius de Morais chamado A Porta. Um poema meigo e bonitinho.

A Porta
Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.
Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.
Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa...)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.
Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!


A animação desse poema no Castelo Rá Tim Bum:
A Porta - Vinícius de Morais

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Dani Dadá !!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

"A arte começa onde a imitação acaba."

Oscar Wilde (1854-1900) foi um dramaturgo, escritor e poeta irlandês. Expoente da literatura inglesa durante o período vitoriano, sofreu enormes problemas por sua condição homossexual, sendo preso e humilhado perante a sociedade.


Autor da frase no título, ele escreveu outras célebres como: "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe." e "Posso resistir a tudo, menos à tentação."


Um texto dele me chamou a atenção por ter um pensamento igual ao meu. E é ele que vou postar hoje.


Loucos e Santos
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. 
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. 
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. 
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. 
Deles não quero resposta, quero meu avesso. 
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. 
Para isso, só sendo louco. 
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. 
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. 
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. 
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. 
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. 
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. 
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. 
Não quero amigos adultos nem chatos. 
Quero-os metade infância e outra metade velhice! 
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. 
Tenho amigos para saber quem eu sou. 
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

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Dani Dadá !!